Sessão Especial em Homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra

Nessa segunda-feira, 18 de novembro, a Câmara Municipal de São Desidério realizou no Plenário Celso Barbosa uma Sessão Especial em homenagem ao “Dia Nacional da Consciência Negra”, com a presença do secretário Municipal de Cultura, Florentino Augusto de Souza Filho, o prefeito José Carlos, a diretora do Conselho Municipal de Cultura, Daniela Ferreira, vereadores, imprensa, um grande público, com representantes de vários segmentos e  com a ilustre participação do palestrante Maurício Jesus Oliveira, também conhecido como Maurício Faísca; , Mestre em Cultura e Sociedade (Pós-cultura UFBA), Especialista em Arte Educação (Olga Mettig), Licenciado em Dança (UFBA), Comunicólogo/publicitário (FTC) e professor efetivo do Instituto Federal da Bahia (IFBA), que ministrou a palestra “Consciência Negra – Luta de Zumbi dos Palmares e Racismo – África pré-colonial, a tragédia da colonização e o seu devir”.

O Dia da Consciência Negra foi criado em 2003 e instituído em âmbito nacional mediante a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de “Zumbi dos Palmares”, em 1695. Sendo assim, o Dia da Consciência Negra procura remeter à resistência do negro contra a escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1549). Foi abordado na palestra os Grandes Impérios Africanos e suas contribuições para a humanidade, a apropriação cultural dos conhecimentos africanos e o perigo da história única.  Os conceitos e a importância da consciência negra, tal como a inferiorização da população negra, o epistemicídio, estética colonizadora, coisificação do corpo negro e a hipersexualização do corpo negro. Por fim, ficou evidenciado que a luta contra o racismo deve ser uma preocupação permanente, pois ainda temos um longo caminho a trilhar para conquistar uma sociedade livre do racismo.

O Grupo de Capoeira Sol Nascente demonstrou os estilos e os diferentes movimentos da capoeira Angola e Regional. A capoeira Angola é o estilo original praticado pelos escravos, essa maneira de jogar capoeira é caracterizada por ser mais lenta, composta de movimentos furtivos e executados de modo rasteiro. O componente básico desse estilo é a malícia. Essa “malandragem” consiste em simular movimentos que sirvam de engodo ao oponente em combate. A capoeira Regional é o estilo contemporâneo de capoeira. Ela possui atributos de outras artes-marciais em sua prática, esse estilo foi criado pelo Mestre Bimba e difundiu-se rapidamente pelo mundo. Isso contribuiu para melhorar a imagem do capoeirista ao mesmo tempo que favoreceu o aumento de seus adeptos.  A capoeira é uma expressão cultural brasileira que compreende os elementos: arte-marcial, esporte, cultura popular, dança e música.

Outro momento cultural foi a apresentação da dança afro-brasileira, feita pela agente cultural, Lú Maria. As danças de matrizes africanas integram a extensa cultura do continente africano e representam uma das muitas maneiras de comunicação cultural. Dessa forma, foram criados diversos gêneros musicais e estilos de dança no país com grande influência africana. Alguns deles são: Capoeira: mistura música, dança, luta e jogo; Congada: que possui caráter religioso; Jongo: ritmo que teve bastante influência na criação do samba; Maracatu: muito presente na região nordeste do Brasil e o Samba de roda: surgida na Bahia, no século XVII, hoje integra o Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Em seguida às apresentações culturais, houve a fala do Prefeito, secretário de Cultura, vereador Luciano Rocha e o presidente da casa, o vereador João Neres de Carvalho Filho, onde fizeram alusões à importância do Dia Nacional da Consciência Negra. “Se por um lado temos motivos para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra, por outro, temos motivos para discutir o racismo e promover a ideia de integração igual da população negra na sociedade, lutando contra a exclusão e a desigualdade social. Nesse sentido, as ações promovidas no dia 20 de novembro não devem ser de comemoração, mas de conscientização e reflexão”, concluiu João Neres.

Texto e Fotos: Rodney Martins